Síndrome do Intestino Irritável

março 2, 2018 - Por Dra. Mara Rita Salum

Costumo dizer que nosso intestino é nosso órgão mais “neurótico”, pois gosta de rotina: rotina alimentar, rotina de horários, rotina de exercícios físicos, rotina de descanso e até rotina de emoções. É evidente que a rotina nem sempre consegue ser mantida de forma tão equilibrada, pois fazem parte da vida as oscilações nesses vários aspectos. A arte de saber o jogo da vida é surfar nos altos e baixos buscando sempre o equilíbrio. Com o nosso intestino, temos de buscar o equilíbrio alimentar tanto na seleção como na quantidade do que ingerimos, respeitando horários e intervalos. O intestino saudável é o que mantém, em última instância, o equilíbrio da flora intestinal.

E como se perde o equilíbrio da flora intestinal? De várias maneiras:

– Alergias e intolerâncias alimentares.

-O uso de medicamentos que alteram o ambiente intestinal como laxantes, remédios para o estômago e principalmente antibióticos.

– Inflamações intestinais de origem infecciosa (parasitoses, infecções agudas de origem viral ou bacteriana) ou inespecíficas (doença inflamatória intestinal).

– Doenças de outros órgãos e alterações hormonais que podem afetar o intestino.

– Fatores emocionais. Neste último item, o principal é o estresse, seja o do dia a dia, inerente ao estilo de vida, seja em picos por motivos extraordinários como luto, desemprego, divórcio etc. No entanto, devemos nos lembrar de que emoções positivas também podem gerar ansiedade. Poderíamos citar como exemplo a véspera de casamento ou de uma viagem de férias.

A perda do equilíbrio da microbiota denomina-se disbiose. Essa condição representa o excesso de bactérias “ruins” com prejuízo das “boazinhas”. A disputa por espaço dentro do intestino resulta em comprometimento da imunidade tanto local, como sistêmica, em outros órgãos. Um sinal da disbiose pode ser o aparecimento de infecções oportunistas, principalmente por fungos e vírus. A falta de conforto abdominal com produção exagerada de gases gera quadros de dor de variável intensidade. Quando muito fortes, as dores abdominais podem determinar visitas ao Pronto Atendimento com suspeita de condições mais graves como apendicite, diverticulite aguda, dores no estômago ou até dificuldade para respirar e dores no peito. Por um lado, os exames sem alterações realizados na urgência tranquilizam o paciente e seus familiares, mas, por outro, são um tanto quanto frustrantes por não justificarem os sintomas do doente.

Depois de algumas crises decorrentes da disbiose, o proprietário das bactérias ruins entra num circuito de falta de bem-estar gerando ansiedade, que, por sua vez, gera estresse emocional, piorando, por fim, ainda mais o estado do intestino, nosso segundo cérebro. Se o indivíduo for portador de predisposição para algum distúrbio psiquiátrico como depressão ou síndrome de pânico, o desconforto abdominal constante pode representar um gatilho para o aparecimento de tais condições.

Há intestinos mais, outros menos sensíveis a todas essas influências. As pessoas que manifestam claramente alterações do funcionamento intestinal devido a um ou mais desses fatores têm como hipótese diagnóstica a Síndrome do Intestino Irritável. A regularidade do hábito intestinal pode se perder com lentificação do trânsito causando fezes mais endurecidas, evacuações menos frequentes e com mais dificuldade. Por outro lado, pode ocorrer aumento do número de evacuações com perda da consistência das fezes, muitas vezes acompanhada de dores abdominais e distensão com produção exagerada de gases e de barulhos.

A ajuda do médico nesta situação de perda do padrão de funcionamento intestinal é muito importante não só para o diagnóstico da Síndrome do Intestino Irritável e seu adequado tratamento, mas como para a diferenciação de outras doenças. Interessante salientar que o mau funcionamento do intestino grosso resulta em inadequado processamento das fezes, porém não ocorrem deficiências nutricionais diretamente relacionadas ao quadro. A função de absorção de nutrientes da dieta é feita basicamente no intestino delgado que, na Síndrome do Intestino Irritável, não está acometido. O emagrecimento com repercussão geral, quando presente, pode ser consequência da dieta restritiva que o paciente adquire pelo receio de não se sentir bem após a ingestão de determinados alimentos.

O fundamental é notar sintomas ditos de alarme como alteração do funcionamento intestinal com afilamento das fezes com ou sem a presença de muco ou sangue, insatisfação com a evacuação, sensação de vontade de evacuar mais frequente e aumento ou diminuição do número das evacuações, não associado a mudanças na dieta.

Nessa situação, deve-se procurar ajuda para se descartar problemas mais sérios como inflamações intestinais e até mesmo doenças malignas. Quando, mesmo com a rotina mantida, perder-se o equilíbrio, deve-se consultar o médico.

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